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Os roteiristas Raphael Montes e Ilana Casoy estrearão na Netflix Brasil

Atualizado: 10 de Set de 2020

Autores consagrados da literatura brasileira, que juntos lançaram obra com pseudônimo, roteirizam adaptação para a série "Bom dia, Verônica"

Foto: Divulgação Darkside Books

A obra literária “Bom dia, Verônica” foi lançada em 2016 sob o pseudônimo Andrea Killmore. Pouco tempo depois, despertou interesse da Netflix Brasil quando um dos autores apresentou aos executivos da plataforma o livro como um dos projetos em que gostaria de roteirizar, sem revelar que era o próprio autor. O sonho se tornou realidade e a série baseada no livro de mesmo nome, logo entrará no catálogo original do streaming. O Portal do Roteiro Audiovisual apurou as informações sobre os autores que viraram febre na última edição da Bienal do Livro Rio, após revelarem-se autores do título. De acordo com a Editora Darkside Books, já foram vendidos mais de 10 mil exemplares.


O thriller ficcional acompanha uma policial (Tainá Muller) determinada, decidida a usar toda habilidade investigativa para mergulhar em dois casos intrigantes e ajudar as vítimas a despertar contra a violência e a injustiça. A primeira, uma mulher enganada por um golpista na internet. A segunda, Janete (Camila Morgado), esposa de Brandão (Eduardo Moscovis), um serial killer inteligente e perigoso que leva uma vida aparentemente normal, mas que tem uma mente cruel capaz de aprisionar pessoas como pássaros em uma gaiola.


“Bom dia, Verônica” não é baseado em fatos reais, mas Casoy levou bastante de sua experiência como criminóloga para o enredo. A personagem Janete, por exemplo, foi muito composta a partir de uma entrevista marcante que a escritora fez com a mulher de um assassino em série. Contudo, a trama mescla da experiência da autora com a criação de Raphael como autor de ficção. “Há realidades que a ficção não aguenta, e você precisa mesmo transformar. E tem coisas da realidade que você precisa colocar na ficção”, explica Ilana. Mas para ambos, desde o início da criação do projeto em parceria era importante que a história promovesse uma reflexão sobre a realidade da violência contra a mulher, comenta Raphael.

Foto: Divulgação/Netflix

Germinação criativa

A sementinha do livro brotou num encontro entre o carioca Raphael e a paulista Ilana no Festival Literário de Extrema que acontece em Minas Gerais. Ele, escritor de sucessos policiais como “Suicidas” (2012) e “Jantar Secreto” (2016); ela, autora de livros sobre crimes reais como “Serial killers made in Brazil” e “O Quinto Mandamento”, em que conta o caso de Suzane Von Richtofen. O perfil criativo dos autores mostra que eles quase não têm semelhanças, no entanto a junção das forças acabou tornando o projeto um sucesso.


Apesar das diferenças, o encontro se mostra perfeito. “Como ele escreve roteiros para o cinema e televisão, Raphael me ensinou muito sobre como estruturar bem um texto”, diz a autora. Em contrapartida, Casoy apresentou a Raphael a complexidade do mundo real, enfatizando a quantidade de detalhes que precisam ser levados em conta para que a história não fique inverossímil.


Durante o processo criativo de “Bom dia, Verônica” com sua co-autora Ilana Casoy, o escritor Raphael Montes chegou a profetizar “Você sabe que esse livro é uma série da Netflix?!”. “A brincadeira”, no entanto, tem estreia prevista para o dia 1º de outubro, onde a plataforma vai disponibilizar a adaptação do livro, tendo Raphael e Ilana como roteiristas e produtores.


Mas essa também não é a primeira parceria audiovisual dos autores. Raphael Montes já convidou Ilana para participar da escrita do roteiro do longa-metragem de suspense “Familia Feliz”. E Ilana convocou o colega para co-roteirizar os filmes “A menina que matou os pais” e “O menino que matou meus pais”, longas que tiveram suas estreias simultâneas adiadas por conta da pandemia. Os filmes contam o caso de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Cristian, que em 2006 assassinaram os pais dela.


Em uma entrevista recente ao Estadão, Ilana e Raphael contaram que planejam mais dois livros em parceria para completar a trilogia. Sendo eles: “Boa tarde, Verônica” e “Boa Noite, Verônica”.

Foto: Suzanna Tierie/Netflix

Rafael Montes

É conhecido por suas histórias de suspense, crime e terror. Advogado e escritor, escreveu os romances:  Suicidas, Dias Perfeitos,  O Vilarejo, Jantar Secreto  e  Uma Mulher No Escuro, sucessos de público e de crítica. É criador, roteirista-chefe e produtor-executivo da série “Bom Dia, Verônica” da Netflix. Em 2019, lançou seu romance mais recente, Uma Mulher No Escuro (ed. Companhia das Letras), que chegou ao 11º da lista de mais vendidos da Revista Veja uma semana após o lançamento e ao 1º lugar da lista de mais vendidos da Publish News. Ele também já roteirizou o longa premiado “Praça Paris”, e foi um dos colaboradores de João Emanuel Carneiro na novela “A Regra do Jogo”.


Ilana Casoy

Já publicou diversos livros sobre crimes que ficaram famosos no Brasil, como “A Prova é a Testemunha: relato inédito do Caso Nardoni”. Colaborou com o site do canal Investigação Discovery entre 2012 e 2013. A especialista em crimes, que já fez um estágio na polícia científica, quando acompanhou a perícia de homicídios, participou, a convite da Fox Brasil, da criação de um perfil do psicopata Dexter Morgan, anti-herói e protagonista da série que leva o seu nome e que se tornou uma das mais cultuadas dos últimos anos. Ela ainda atuou como colaboradora da série escrita por Gloria Perez e dirigida por Mauro Mendonça Filho, Dupla Identidade, exibida emem setembro de 2014 na Rede Globo.

Se quer uma experiência enriquecedora, compre o livro antes de assistir a série para entender o processo de adaptação da literatura para o audiovisual:


Confira o trailer da série:

■ Por Richard Günter

Jornalista, pós-graduado em roteiro audiovisual e CEO do Portal do Roteiro Audiovisual

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